A Persistência da Memória’s Weblog

Onde estão os criativos?

Junho 12, 2008 · 2 Comentários

 

 (POST editado)

Para quem não sabe e me conheceu depois das minhas aventuras malucas pela Europa ou escrevendo matérias aqui e ali, eu também sou publicitária.

No primeiro semestre da minha faculdade, um dos professores apresentou o vídeo Wear Sunscreen produzido pela agência DM9DDB  como um vídeo de final de ano

 Claro que todos da sala gostaram muito, eu inclusive. Que texto fudido!

Depois de muito tempo achei o vídeo no Youtube e descobri que o texto foi escrito por uma jornalista chamada Mary Schmich e foi publicado no jornal Chicago Tribune (no vídeo não há crédito algum a essa escritora). Pelo que um amigo me disse a história é a seguinte (nas palavras dele mesmo);

o Sunscreen, depois de virar corrente de internet foi gravado pelo Baz Luhrman. A DM9 usou o áudio do Baz Luhrman num vídeo de final de ano que eles deram de presente pra amigos e colaboradores que foi devidamente creditado. Agora alguém, um dia lá atrás, colocou ele na rede sem os créditos.”

Agora  me diga uma coisa, uma agência como a DM9DDB não tem UM redator competente para escrever um texto bom para o sua própria mensagem de final de ano?

Para quem não conhece (o que não acredito), o vídeo é esse aqui:

 Mas não é só na área da publicidade que os “criativos” brasileiros se apropriam de coisas estrangeiras.

Outro dia estava vendo TV e aqui também passa um programa parecido com os Ídolos no Brasil. Um dos competidores começou a cantar “Vou de taxi” (da Angélica, sabe?) em versão original  francesa.

A Angélica fez uma versão da música Joe Le taxi composta por Étienne Roda-Gil e interpretada por Vanessa Paradis em 1987. Com créditos,é claro , mas isso não importa o negócio é que nem musiquinha de criança a gente consegue compor sozinho?

(Ok,eu sei que tem gente boa e criativa no Brasil, esse post só foi uma indignação imediata depois de ouvir VOU DE TAXI, ou melhor, JOE LE TAXI)

Ficou melhor,Onon? ;)

 

 

 

 

 

 

 

→ 2 CommentsCategorias: Music · advertising
Tagged: , , , , ,

Um pouco de música

Maio 19, 2008 · 1 Comentário

Yael Naim é uma cantora fraco-israelense que eu conheci por meio do comercial da Apple para o Mac Book Air. Ela canta em francês, hebraico e inglês e toda vez que eu escuto New Soul (a música do comercial) eu me sinto feliz.

Já que compartilhar felicidade moderadamente é bacana, deixo o vídeo clipe da música para vocês:

→ 1 CommentCategorias: Comercial · Musica · advertising
Tagged: , , , , , , ,

O livro que escolhe quando quer ser lido.

Maio 6, 2008 · 2 Comentários

Paul Auster

Naquela época eu lia “A trilogia de Nova York” de Paul Auster e, ao mesmo tempo em que seus personagens a lá Sherlock Holmes in Wonderland me faziam viajar em um mundo desconhecido, eu procurava informações sobre Londres, a cidade no qual moraria o próximo ano.

Foi nessa época e por essa razão que eu conheci o Rafael. Ele era o dono de uma comunidade no Orkut chamada “Eu odeio Londres” e talvez porque eu seja mais curiosa a respeito da crítica do que a respeito do elogio, essa comunidade me chamou atenção antes das outras.

Lá estavam crônicas, incrivelmente bem escritas que me impressionaram e principalmente, me fizeram rir e viajar pelas entranhas mais obscuras da minha nova cidade. Entrei em contato com o senhor autor e descobri que, além da intimidade com gostos em geral, o Rafael era fanático por Paul Auster.

Como já havia devorado meu primeiro livro pedi uma indicação de um novo. Ele sugeriu um livro chamado “Achei que meu pai fosse Deus”. Procurei esse livro em vários lugares em São Paulo, mas não consegui encontrá-lo. Quando, finalmente conheci o Rafael, ele havia desistido de lutar contra o seu ódio e tinha resolvido se mudar para São Paulo. Portanto minha primeira semana em Londres era a última semana dele. Foi uma semana intensa e divertida em que tentamos conhecer o máximo da cidade entre descobertas e despedidas.

Quando meu inglês já estava bom e o Rafael já estava em algum lugar de São Paulo, fui procurar novamente o livro para ler e nada. Ele não queria ser lido. Então,quando já tinha desistido de procurá-lo ele resolveu aparecer aqui,em uma livraria de Paris e sem nem pensar duas vezes o comprei. ”Je pensais que mom père était Dieu” é meu primeiro livro em francês (por escolha dele mesmo).

Sabe aqueles programas de rádio que a sua avó escuta no qual o radialista lê a cartinha dos leitores que enviaram histórias reais e estranhas? Paul Auster reuniu várias dessas histórias de quando ele trabalhava na National Story Project e editou esse livro maravilhoso, cheio de lágrimas, sorrisos e sincronicidades verdadeiras que, nesse momento, alegra minhas tardes de primavera parisienses.

 

→ 2 CommentsCategorias: Encontros · Livros · London · Londres · Paul Auster · Pessoais · books
Tagged: , , , , , , , ,

TIC-TAC

Abril 28, 2008 · Não Há Comentários

Ela acordava com o som que vinha da cozinha “um velho calção de banho, um dia pra vadiar”, era a voz de Vinícius de Morais, com palavras incompreensíveis que chegavam no seu quarto, junto com o murmurinho de sua mãe que tentava acompanhar o ritmo. O dia seria longo

Ao mesmo tempo, eu bebia em um bar acompanhada de um homem que também me dizia palavras incompreensíveis, fazendo eu me sentir mais solitária que normalmente. A noite seria longa.

Café sem açúcar. Vodka sem gelo. Era o que descia, matando as palavras não pronunciadas das nossas gargantas.

TIC-TAC ali TIC-TAC aqui. O tempo passou. Rápido e lento. Lento e rápido.

Um dia, Naoko andava pelas ruas de Hiroshima e sentiu que precisava sair dali. Enquanto eu acordei no meio de um sonho, e percebi que tinha algo errado com a minha vida.

Então , foi assim que , Naoko e Ingrid se encontram, bem ali, onde o globo terrestre é dividido entre ocidente e oriente. Greenwich.  Agora estávamos cheias de planos para o futuro, mas foi um encontro rápido e intenso,já que o TIC-TAC não parou  e fez o mundo mover-se para longe dos nossos próprios pés.

Finlândia e França. Dias de noite,noites de luz. E o TIC-TAC,que nao descansa nunca.

→ No CommentsCategorias: Encontros · Hiroshima · Pessoais
Tagged: , , , , ,

Minha ausência

Abril 25, 2008 · 1 Comentário

Não, eu não abandonei meu blog tão rápido assim. Foi o computador que me abandonou. Depois de quase três semanas na assistência técnica, ele voltou ontem com um papel dizendo que trocaram o “Main board”. Como meu conhecimento a respeito da estrutura do computador é nulo, não sei de que parte se trata. Mas como diz “Main” deve ser algo importante. Porém, agora que ele esta aqui, todo inteirinho, e eu posso voltar a escrever.

Acontecerem algumas coisas nesse tempo que fiquei fora; a visita da minha amiga Naoko, alguns dias de sol, algumas fotos tiradas e uma boa notícia que não contarei agora para guardar o suspense.

Agora só vou destacar de relevante minha visita ao  Musée Maillot, que ainda não conhecia. Fui para a exposição do Machel Duchamp, mas encontrei muito mais que “La Fontaine” . O museu tem exposições de arte contemporânea e também uma exposição permanente boa, por um preço razoável (6 euros para estudante). Se existe uma coisa no qual essa cidade é boa, é o valor pela arte. Qualquer museu, por menor que seja, tem um acervo incrível.  

Agora vou ver os blogs e notícias que perdi com todo esse tempo sem internet. Depois escrevo mais.

 

→ 1 CommentCategorias: Blog · Marcel Duchamp · Museu · art · arte
Tagged: , , , , , ,

O que acontece por aqui A mulher aranha

Março 31, 2008 · Não Há Comentários

O “Centre pompidou” consagra uma grande retrospectiva do trabalho de Louise Bourgeois. 900M2 Para descobrir essa artista contemporânea, torturada, singular e influente.

O que teria se tornado Louise Bourgeois, se, quando ela fosse criança, ela não tivesse encontrado seu pai dando em cima de sua enfermeira? A questão merece ser feita já que a obra dessa artista de 96 anos é inspirada nos seus traumas de infância.

Essa catarse artística, Louise Bourgeois não renegou, pelo contrário. “Precisamos abandonar o passado todos os dias ou aceitá-lo. E se isso não acontecer, devemos esculpi-lo.”, ela diz.

A retrospectiva que la consagra no  Centre Pompidou” permite aos amadores de arte contemporânea descobrir seu trabalho. Primeiro o visitante é apresentado a sua família, as estátuas ao ar de totens africanos, antes de penetrar no coração dos seus sofrimentos. Todas suas criações foram inspiradas na temática do corpo, do casal, do sexo e a maternidade.

O ódio do pai se cristaliza nas espantosas esculturas cuja artista o destrói sem esquecer. Já suas homenagens a sua mãe, vinda de uma família de tecelões, são simbolizadas por uma aranha.

Cedendo aos seus impulsos criativos, Louise Bourgeois se exprime através de todos os suportes: madeira, gesso, látex, mármore ou bronze e também tecido. Essa multiplicidade de materiais traz uma verdadeira riqueza ao seu trabalho.

Em paralelo a exposição, as edições “Actes Sud “ Louise  Bourgeois. L`aveugle guidant l’aveugle (O cego guia o cego), de Mâkhi Xenakis e “Arte Video” propõe um documentário de 52 minutos realizado por Camille Guichard.Louise Bourgeois, até 2 de junho, no Centre Pompidou, Georges-Pompidou.Directsoir

→ No CommentsCategorias: Uncategorized
Tagged: , , , , , , ,

Minha vida sem meus dias comuns

Março 27, 2008 · 3 Comentários

Aquele era um dia comum, como todos os outros.  Jantamos ao som de Morphine, enquanto ela sorria e me contava a história de um garoto na sua sala que falava tupi-guarani. Logo em seguida, tomamos um gole de vinho e ela me deu um beijo molhado de lábios roxos.

Antes de dormir, ela enroscou seus pés, gelados como sempre, nos meus, tentando encontrar calor e me deu outro beijo. Esse era um beijo diferente, mas eu não entendi. Era a complexidade dos gestos femininos. Coisas que elas fazem que, com sorte, nós homens, só conseguimos entender séculos depois. Aquele era um beijo de despedida.

No dia seguinte, ela me deixou. Suas roupas, seu cheiro e até mesmo seu corpo, estirado do meu lado, ainda estavam lá. Mas ela tinha partido.

Tentei reencontrá-la em todas as partes. Levei-a ao seu restaurante preferido, coloquei flores na casa, fiz piadas sem graças que ela costuma rir horas seguidas. Um dia cortei meu dedo de propósito, e sem nem reparar na dor, olhei para os seus olhos esperando alguma reação. Ela correu para o banheiro, trouxe água oxigenada e gaze e perguntou se doía. Eu poderia confundi-la com qualquer pessoa no mundo. “Sim, dói muito”.

Aos poucos ela parou de procurar emprego, não foi mais para as aulas, parou de fotografas, pintar, escrever, ler, e por fim, parou de ouvir música. Era uma existência que desistia.

Fiquei desesperado, amargurado, triste e nostálgico. Todos nessa mesma ordem.  O que sobrou de tudo isso foi a minha saudade interminável dos meus dias comuns.

→ 3 CommentsCategorias: Sem Categoria
Tagged: ,

The other side

Março 27, 2008 · Não Há Comentários

Não importa o lugar onde ela estivesse, existia um lugar que sempre caminhava com ela. Era o seu quartinho escuro. Ele  era sujo, negro, empoeirado  e não tinha portas. Ela mesma não sabia como entrar lá. Ela só sabia que aquele era o lugar onde ela sempre voltava das suas viagens no outro lado. Não havia nenhum ruído, nenhuma música, mesmo com a poeira, o lugar não tinha cheiro, nada para ver. Era um “nada” insuportável. O lugar em que ela mais se sentia adequada. O cantinho com que ela mais se identificava.

Tinha uma janelinha, que ficava na altura da sua cabeça quando ela estava sentada no chão.  O quarto foi construído especialmente para ela. A sua única atividade diária era sentar-se lá e observar o outro lado. Era tudo bem colorido e tinha brilho. Ela já esteve lá, mas sabia que tudo aquilo, não era para ela.Ela era a menina do quartinho negro. Nasceu assim e morreria assim. Fez milhares de viagens temporárias ao outro lado, mas sempre voltava e se encontrava no escuro, sentada, admirando a felicidade através da janela.

→ No CommentsCategorias: Sem Categoria
Tagged: ,

Março 25, 2008 · 1 Comentário

My Blueberry Nights

Inverno europeu é bom para duas coisas: esquiar e assistir filmes. Como eu não sou muito esportista (e também falta dinheiro), estou me deliciando com velhos e novos filmes, seriados e tudo que tenho direito, ao lado do meu aquecedor.

Entre eles, o primeiro filme em inglês do diretor chinês Wong Kar Wai, “My blueberry nights” (Um beijo roubado,em português). O filme, que foi bastante criticado no Festival de Cannes, sendo considerado previsível, me agradou bastante.

Norah Jones, em sua estréia como atriz, é Elizabeth, uma mulher de coração partido que perceber estar no lugar em que ela não deveria estar (“Olhando através da janela eu percebi que estava no lugar errado”), resolve viajar pela América. No caminho ela encontra pessoas, tão ou mais solitárias que ela.

 Enquanto isso, seu amigo, Jeremy (Jude Law), um jovem de Manchester, que também tenta esquecer um amor antigo, lembra com nostalgia dos tempos em que Elizabeth passava em seu bar e comia torta de “Blueberry” que, inexplicavelmente, sempre sobrava no final da noite.

O filme é um quadro de Edward Hooper em movimento, onde pessoas solitárias se encontram e se perdem novamente.

A trilha sonora é muito boa e inclui Cassandra Wilson fazendo um cover de Harvest Moon do Neil Young. A estréia de Norah Jones como atriz é impressionante e eu fiquei mais uma vez apaixonada por um homem que não existe (o último tinha sido Jake Gyllenhaal no Brokeback mountain), o personagem do Jude Law.

Meu trailer favorito do filme está aqui, no site Omelete.

→ 1 CommentCategorias: Sem Categoria
Tagged: , , , , ,

O Cheiro da fumaça.

Março 21, 2008 · 3 Comentários

 O cheiro da fumaça persistia no meu nariz enquanto eu observava o vai-e-vem dos bombeiros nas escadas minúsculas e infinitas que chegavam ao meu apartamento.  Meus ouvidos estavam inativos para o mundo exterior, eles pertenciam às vozes do meu pensamento e não pude ouvir quando a “Madame” do primeiro andar me disse:

-Est-ce que vous voulez un café, un thé ? (Você quer um café, um chá ?)

Eu disse que não, ainda em estado de transe. E talvez, nesse momento, tenha entrado em um estado forçado de meditação. Meus pensamentos pararam de funcionar, assim como meus ouvidos. A única coisa que ainda insistia em permanecer, era o cheiro.Mesmo quando o bombeiro desceu as escadas, com o laptop nas mãos, dizendo que era a única coisa que restava, eu não conseguia achar as partes dentro de mim que me faziam sentir.  

Quando o Federico chegou, eu tive que dizer que não tínhamos mais nada. E com forças que nem sabia que existiam, segurei-o em prantos caídos, os dois na calçada, com cheiro de fumaça impregnado no nariz. As “Madames” foram para suas casas, os bombeiros se retiraram e a noite já tinham chegado sem que eu notasse. A policial, então, nos deu autorização de ver o que restou do apartamento.

Fui subindo as escadas devagarzinho enquanto o cheiro de fumaça ficava mais forte. Andava sobre as cinzas de coisas que eu nem sabia o que tinham sido minutos atrás. Meus pensamentos voltavam de pouco a pouco a funcionar e eu me perguntava o valor das coisas. O que realmente tem valor? Será que o valor que atribuímos está na memória? Então qual o critério da memória? Por que eu consigo me lembrar claramente aquele email que recebi há tanto tempo, lembro de todas as palavras, todas as vírgulas, mas não consigo me lembrar do nome daquela menina que costumava ser minha melhor amiga quando criança?Enquanto eu subia, desciam dos degraus folhas de livros queimadas. Lembrei de Fahrenheit 451 e os homens memorizando seus livros por amor. Será que o valor está no que amamos? Fui pensando o quanto amava minhas coisas e apagando elas automaticamente da memória. Roupas, cartas, fotos, livros e até meu passaporte. Viravam fumaça, assim como algumas partes de mim.  Afinal, a fragilidade da vida também me fez questionar o valor dela.

Quando cheguei ao topo, eu era uma pessoa livre de tudo. A única coisa que restava, era o cheiro da fumaça.

→ 3 CommentsCategorias: Sem Categoria
Tagged: