Um pôr do sol

É final de tarde e pela fresta da janela entra um pouco da luz do sol que se despede do dia, deixando suas mãozinhas alaranjadas.

Eu vigio seu sono, depois de dias e noites de cuidados intensos, higiene, alimentação, desenvolvimento, cansaço e energias recarregadas com o encantamento dos seus sorrisos.

Penso na mulher que fui, em toda minha trajetória até aqui. Em toda a preparação que tive para me tornar independente e, agora, os laços com um novo ser, tão intrínsecos, que os nós são invisíveis a olho nu.

Penso na melancolia e nas incertezas que a maternidade trouxe e neles surge o seu olhar  iluminando as sombras do puerpério. A morte e o renascimento.

Penso na sua trajetória também, o seu prazer ao olhar coisas novas, o quanto gosta de sentir o mundo, seus dedos percorrendo as plantas, os sabores novos. E que responsabilidade a minha ser sua porta inicial para o mundo.

Meus olhos vão ficando pesados com o cansaço e vou fotografando esse momento para que ele fique para sempre na memória. Você não vai lembrar, mas saiba que estou reservando todas essas fotografias em um lugar muito especial que irei recorrer quando me sentir triste.

Com meus olhos fechados ao lado dos seus, espero que nossos sonhos se cruzem agora e muitas vezes mais, iluminados por esse entardecer eterno.

 

 

 

 

O enxoval

Quando estava grávida me preocupei em fazer um enxoval que combinasse com meu estilo de vida, mais prático, menos consumista.

Reparei que o enxoval também acompanha o estilo de mãe que você escolhe ser e as necessidades do seu bebê, pois perguntei para muitas mães e alguns itens muito usados por umas, nunca formam usados por outras.

Por isso achei legal fazer esse post, que mostra os itens que estou mais usando e que gostei, mas por meio dos objetos há as dicas do tipo de mãe que estou sendo e do jeitinho da Francine.

Roupas (vale dizer que quase não comprei, pois ganhei muitas da cunhada, mas as que mais usei foram)

Bodies – no começo os de manga comprida, devido ao frio e agora os de manga curta;

Mijões – gostei mais dos que vinham com pezinho, mesmo durando menos, porque as meias são muito difíceis de ficar nos pés;

Macacões – colocava por cima do body e calça;

Fraldas de pano – item coringa, serve para tudo (tampar de um vento forte na rua, colocar debaixo na troca);

Babador e pano de boca – uso muito!! Tem desses espalhados por toda casa,para limpar quando o leite volta, ou na mamada;

Roupas de cama e cobertores – não é recomendado usar cobertores nos berços, mas usamos no carrinho em momentos de muito frio, sempre embaixo dos braços;

Casacos – como fico muito com a Francine no colo, ficam muito quentes, então  usei mais para sair, mas como não saí muito nos primeiros mês, não tive oportunidade de usar todos;

Pagões – achei mais complicado que os bodies, não usei muito;

Meias e sapatos – as meias caem muito e os sapatinhos são mais “estéticos” (mas adoro eles..rs);

Luvas – usei algumas vezes quando estava muito frio, mas a Francine descobre o mundo com as mãos e acabei deixando os dedos dela livres para conhecer o mundão;

Cueiro – Francine não gostava, mas no dia que tomou vacina e ficou com febre, enrolamos ela em um e foi a salvação da noite.

-Quarto

Temos um quarto que é dividido entre escritório e quarto de hóspede (com um sofá-cama), portanto, tivemos que otimizar muito os móveis. Optamos por:

Berço de camping – que dá para trocar de lugar facilmente, podemos levar para a casa de outra pessoa além de usarmos o trocador também;

Cômoda – para colocar o kit higiene, eu optei por limpar a Francine com água morna e algodão e eu mesma fiz um kit higiene, comprando a caixa, pintando e passando o laço. Juntei com a garrafa térmica e os potinhos;

Armarinho – bem pequeno, para caber os vestidinhos e cobertores;

Lixeira para as fraldas – que enfeitamos com joaninhas…rs;

Aquecedor – compramos um, pois estava muito frio e não temos muita experiência para trocar um bebê. Foi bacana, pois conseguimos fazer o momento do banho algo mais divertido e não tão rápido (damos banho no quarto);

O sofá-cama virou minha “poltrona” de amamentação.

-Higiene

Balde – optamos pelo balde pelo pouco espaço em casa, mas vimos que a Francine ama o balde também e vamos usar até não caber mais;

Maisena e pomada de assadura – no inicio eu só ia usar a pomada se ela ficasse assada, como a pediatra sugeriu, porém ela ficou e passamos a usar muitas pomadas para resolver (tínhamos várias do chá de fraldas). Agora que não tem mais assaduras, estamos utilizando amido de milho em toda troca e quando fica vermelho, a pomada receitada pelo pediatra. Notei que essa questão é bem polêmica. Cada mãe faz de um jeito e quase nenhuma usa a mesma técnica. Se você é mãe de primeira viagem, sugiro que espere o bebê nascer para ver como você e seu bebê se adaptam as trocas;

Fraldas – pedi muitas no chá de fraldas e ainda estou usando. A ideia de fazer o chá de fraldas foi para reunir pessoas amadas e comemorar a vinda da pequena pessoa, mas é claro que as fraldas foram bem vindas. Eu fiz de fraldas tradicionais mesmo, mas você pode optar por fazer com fraldas de pano. Eu tenho uma só que minha amiga Ana Carol deu e foi muito utilizada nos momentos de assadura. Pretendo ter mais no futuro para mesclar o uso com as fraldas descartáveis. Tem mães que optam por não ter fralda nenhuma, como algumas mães chinesas usando uma método chamado Elimination Communication ;

Shampoo, sabonete, óleo, hidratante – uso sabonete que já é para cabeça e pele e o óleo e hidratante para fazer massagens;

Pente, kit manicure e limpador de nariz – o pente uso pouco, pois Francine é quase carequinha, mas o kit manicure uso muito. As unhas crescem rápido e ela se arranha muito. O limpador de nariz comecei a usar também, pois ela respira mal quando tem algo no nariz;

Álcool, algodão, cotonete – tudo isso pode ser pedido no chá de fraldas. O álcool uso muito o em gel, para limpar as mãos antes e depois das trocas e o álcool normal usei para limpar o umbigo no inicio e agora para limpar a cômoda o trocador. Cotonete usei para limpar o umbigo e para a orelha na hora do banho (nem todo médico recomeda, mas eu uso só por fora);

Kit higiene – não comprei um pronto, mas quis montar um exclusivo da Francine. Foi muito divertido comprar a caixa de madeira e pintar, tão legal que até comprei uma caixa de chá depois e fiz para minha mãe de presente;

Toalha – ganhei uma daquelas com fralda dentro.

-Carregadores

Carrinho – compramos um bem simples, que fica na vertical, mas é de passeio. Ele é bem leve, fecha muito fácil e passa pelas portas. Tinhamos um colchonete também, e Francine dormiu nele por 2 meses, no nosso quarto. Também uso ele para sair pelo bairro, tomar um solzinho;

Bebê conforto – é necessário para o carro, ganhamos da minha cunhada;

Fast sling, wrap sling, sling de argola, canguru e mochila – tenho todos!!! Uso tanto dentro de casa, para acalmar a bebê e também para deixar ela mais conectada com o mundo e como vemos as coisas, quanto para sair. Tem mães que nunca usaram, mas outras, não abrem mão do colinho e não há braço que aguente.

-Amamentação

Concha – o uso não é recomendado devido a chance de fungos, mas eu usei bastante no inicio. O bico ficava sensível e quando encostava na roupa era muito ruim, a concha ajudou muito. Eu fervia todos os dias para evitar contaminação;

Almofada de amamentação – no começo é difícil achar posições confortáveis e a almofada ajuda demais. Ganhei de uma amiga, mas teria comprado se não ganhasse. Amamentação é muito importante e o inicio nem sempre é fácil, tudo que for para transformar a amamentação em algo mais confortável é válido;

Bomba elétrica – também peguei emprestado com uma amiga. É bom esperar para ver se você terá muito leite. No meu caso, tive empedramento com febre, então tive que tirar leite. Outra opção é ir a um banco de leite e lá eles te ensinam a tirar manualmente.

-Outros itens:

Tapete de atividades – não é essencial, mas Francine gosta muito;

Cadeira de descanso – muito bom! serve para distrair um pouco e você consegue fazer coisas como tomar banho, comer e quem sabe, até cortar as unhas do seu pé (veja que luxo);

Brinquedinhos com música – minha mãe que deu vários e Francine adoraaa, gosta de ouvir música no banho, na troca de fralda;

Mordedor – para aliviar as gengivas duras.

Agora estamos chegando na fase da introdução alimentar e teremos novos objetos para nos auxiliar.

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Pintando o Kit Higiene

E vocês? Quais objetos ajudaram nessa jornada?

A viagem

Eu tinha certeza que escreveria um texto no dia que a Francine nascesse. Seria um dos dias mais importantes da minha vida e queria demonstrar todos meus desejos à ela. Mas isso não aconteceu, não somente pela falta de tempo (e não estou dizendo que não existe, pois agora só consegui escrever já que ela resolveu tirar uma soneca a mais, e ainda corro um grande risco de ter que interromper tudo).

O que acontece é que maternidade é sim um mar de sentimentos, emoções e mudanças que acontecem do dia para a noite, mas quando pensei em transformar tudo isso em palavras, elas simplesmente viraram vazio e precisei desses três meses para tentar absorver tudo, ainda sem sucesso pleno, pois há muito mais para mastigar e compreender.

Ainda nos primeiros dias olhei para ela dormindo e me subiu um frio congelante por dentro, chegando na garganta e subindo pelos olhos, o que fez uma lágrima cair.

O que era aquilo? Ainda não sei ao certo, mas irei chutar que é amor (aquele clichê, que chamam de amor incondicional de mãe). Senti com ele um certo pavor: a partir de agora, boa parte da minha felicidade estava nas mãos de alguém que eu não teria menor controle do que seria. Foi assustador.

Depois disso veio o dia a dia que, depois de ler tanto, já estava preparada: rotina maluca, sair do controle da organização, mas vira e mexe, entre um sorriso e outro, aquele frio aparecia.

Esse frio, com o tempo, foi trazendo outras emoções, algo parecido com as descidas e subidas de uma montanha russa e aí que me dei conta, estava acontecendo! Esta era a jornada que sempre busquei, um mergulho de auto conhecimento. E foi assim, com a ajuda de um outro, que estou fazendo essa linda e assustadora jornada

Filha, muito obrigada por ser minha companheira na viagem mais incrível da minha vida, a viagem dentro de mim mesma.

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Maternidade e realidade

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Com 26 semanas nesta foto

Esta sendo um ano de notícias ruins. Crise hídrica, crise elétrica, inflação, aumento de juros, de desemprego, de taxas básicas, de luz, de água, aumento, aumento, aumento. Tudo esperado, mas não deixa de ser assutador. Em consequência, pessoas enfurecidas, loucas, acreditando em soluções mirabolantes ou defendendo causas cegamente, o que é, igualmente, aterrorizante.

Enquanto isso, Francine está se formando dentro de uma mãe cheia de receios com o mundo em que ela irá vir contemplar. Talvez ela encontre um mundo mais duro que o que eu vive, ou que, ainda em um mundo de pedra, ela seja capaz de encontrar a cor.

Brincar de adivinhar o futuro é divertido e assustador, mas a verdade é que quero que tudo aconteça de maneira mais natural possível e só quero que ela seja exatamente do jeito que ela é, construindo seu próprio caminho.

Estou com 30 semanas de gravidez e ela se mexe bastante aqui dentro. Li alguns artigos sobre  o Efeito Mozart , dizem que colocar composições de Mozart para o bebê ouvir, além de estimular o cérebro, acalma. Verdade ou não, Francine já está ouvindo, além de Mozart, Vivaldi, Beatles, Nora Jones, músicas francesas, entre outras. Ela não acalma muito, não. Acha que é festa e continua se movendo, normalmente toda para o lado direito, como ela gosta de ficar.

Fora meus receios, minha curva glicêmica alterada e meus dias mais tristes com menos brigadeiro, tudo caminha bem

Depois volto pra contar mais.

A escolha do nome

O avô do meu marido era francês, que morava na Bélgica, mas ainda amava a França. Em homenagem ao tão amado país, deu à sua filha o nome de Francine Emilienne Lucie.

A primeira Francine, infelizmente, não está mais entre nós. Quando Federico tinha 3 anos ela falaceu. Gostaria muito de tê-la conhecido, pelas histórias que contam, ela me parece alguém muito corajosa, inteligente e que pensava fora da caixa para os padrões da época. Viajou à América Latina por amor, cuidava de pessoas com síndrome de down. É alguém que já admiro sem nem conhecer.

Francine

Francine Emilienne Lucie

Meu pai, quando soube que o nome dela era Francine, colocou na cabeça que eu teria uma menina e ela chamaria Francine, mesmo antes de eu cogitar minha gravidez.

Qualquer ligação telefônica começava da seguinte maneira: “fifi, estou atratrapalhando a produção da Francine?”.

O último email de aniversário que recebi do meu pai , antes dele falecer, foi este:

“fifi meu amor,

O que dizer a vc que já não foi dito,

que vc é uma pessoa maravilhosa, inteligente, trabalhadora, sensivel,

linda, enfim vc é a filha que qualquer pai desejaria.

um beijão bem grande minha filha

e não esqueça da francine.“

Papai: Antônio Alberto Mantovani

Papai: Antônio Alberto Mantovani

Ambos não estão mais aqui para conhecê-la e transmitir essas personalidades maravilhosas de coragem, sensibilidade, criatividade e humor. Mas espero que o nome que escolhemos tenha a força de fazer esta homenagem no tamanho que os dois merecem.

Filha

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Eu costumo chorar em filmes, você ainda vai ver. Confesso que às vezes choro com anúncios e até vídeos bobos da internet. Agora que estou esperando você, choro vendo partos. Mas quero te contar sobre um dia que não chorei.

Morava em Paris com seu pai e cheguei do mercado com as compras na mão. 8 andares sem elevador, descancei um pouquinho no sexto, como de costume. Chegando em casa, joguei as compras na cama e senti um cheiro estranho. Saí para ver o que era e reparei que o apartamento ao lado estava em chamas. Peguei minha bolsa e desci o mais rápido possível pedindo para ligarem para o bombeiro (Pompier! Pompier!).

Logo os bombeiros estavam lá, era chama para todos os lados e um dele desceu com meu computador falando ”só sobrou isso”.

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Casinha pós incêndio…

Neste momento, não pude chorar. Teria que reconstruir tudo e precisava guardar essas energias.

Seu pai chegou logo em seguida, veio vindo com a baguete nos braços pela rua e já sentia que havia algo errado. Quando falei que perdemos tudo, ele chorou nos meus braços. Eu me mantive com a força e racionalidade que precisamos pra construir tudo novamente nos dias a seguir.

Neste momento, entre suas lágrimas e o barulho de carros de bombeiros é que senti o que é ser mulher. Senti que sou uma mulher que tem as emoções em mim, mas também o equilibrio e a força. Notei que, ao contrário do que dizem, chorar não é fragilidade. As lágrimas são a vitrine das suas emoções, uma pequena amostra deste furacão de vida que passa dentro de você. E não se engane, minha filha, quanto mais se vive, mais forte você se torna.

Há uns dias descobri que você é menina. Um mundo de pensamentos me surgiram. Gostaria de te transmitir tudo que já vivi, sorrisos, tristezas, alegrias, que chegariam magicamente pelo cordão umbilical e te pouparia de passar por algumas situações, mas isso não seria viver. Você precisa rir, chorar, se sentir forte e descobrir o verdadeiro sentido de ser mulher em alguns deste momentos da vida.

Venha  ao mundo minha filha, traga com você seu sorriso, energia e força e o resto você descobre.

Balanço do ano

Última semana do ano e, mesmo com a vida correndo feita louca (percebesse pela escassez de textos do blog), vem aquela vontade bem clichê de refletir sobre o que se passou.

2010 foi um ano intenso e, apesar de parecer que fiz um milhão de coisas, quando olho pra trás elas não parecem tantas assim.

Meu primeiro ano de casada, com o Federico, meu maridão, que está comigo em todos os momentos. Me dediquei de corpo e alma a minha carreira. Além dos dias intensos na empresa, também comecei a tão esperada pós graduação, e voltar a estudar realmente me faz bem.

O apartamento já está quase pronto, e com ele aprendi tudo sobe madeira, granito, pisos e coisas das quais não sabia nem o nome antes de precisar.

Fui a trabalho para Recife, onde conheci pessoas, lugares e comidas maravilhosas. Além das inúmeras visitas à Curitiba, em que, infelizmente, não pude desfrutar tanto da cidade.

No Rio, conheci o melhor amigo do Federico e sua recém esposa, tomando rum colombiano à beira mar  durante a noite.

Fui ao show do Pixies e sim, fiquei arrepiada e com os olhos cheios de lágrima.

A Europa parece cada vez mais distante sobrando somente os traços de lembrança e uma leve nostalgia de ter passado por lá.

Devido à correria do dia-a-dia, não consegui ver todos os amigos como queria, mas os fiéis sempre entendem e sabem que estou presente, mesmo que distante.

Finalizo falando da minha família, maravilhosa, me ajudando com todos os mínimos detalhes.

Venha 2011, tenho planos ambiciosos pra você!