Arquivo do mês: setembro 2015

A viagem

Eu tinha certeza que escreveria um texto no dia que a Francine nascesse. Seria um dos dias mais importantes da minha vida e queria demonstrar todos meus desejos à ela. Mas isso não aconteceu, não somente pela falta de tempo (e não estou dizendo que não existe, pois agora só consegui escrever já que ela resolveu tirar uma soneca a mais, e ainda corro um grande risco de ter que interromper tudo).

O que acontece é que maternidade é sim um mar de sentimentos, emoções e mudanças que acontecem do dia para a noite, mas quando pensei em transformar tudo isso em palavras, elas simplesmente viraram vazio e precisei desses três meses para tentar absorver tudo, ainda sem sucesso pleno, pois há muito mais para mastigar e compreender.

Ainda nos primeiros dias olhei para ela dormindo e me subiu um frio congelante por dentro, chegando na garganta e subindo pelos olhos, o que fez uma lágrima cair.

O que era aquilo? Ainda não sei ao certo, mas irei chutar que é amor (aquele clichê, que chamam de amor incondicional de mãe). Senti com ele um certo pavor: a partir de agora, boa parte da minha felicidade estava nas mãos de alguém que eu não teria menor controle do que seria. Foi assustador.

Depois disso veio o dia a dia que, depois de ler tanto, já estava preparada: rotina maluca, sair do controle da organização, mas vira e mexe, entre um sorriso e outro, aquele frio aparecia.

Esse frio, com o tempo, foi trazendo outras emoções, algo parecido com as descidas e subidas de uma montanha russa e aí que me dei conta, estava acontecendo! Esta era a jornada que sempre busquei, um mergulho de auto conhecimento. E foi assim, com a ajuda de um outro, que estou fazendo essa linda e assustadora jornada

Filha, muito obrigada por ser minha companheira na viagem mais incrível da minha vida, a viagem dentro de mim mesma.

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