Memórias em crônicas

Já estou há quase dois anos no Brasil, país em que, apesar de algumas dificuldades, adoro morar e, de vez em quando, aquela nostalgia de quem morou em outro país aparece.

Claudia do Brasil com z chamou esse sentimento, muito pertinentemente, de síndrome  do ex-namorado e eu continuo a analogia  dizendo que, para mim, Londres foi o ex-namorado bom. Aquele em que eu terminei a relação, mas, apesar de alguns momentos ruins, terminamos o relacionamento de forma pacifica 80% das memórias consistem em boas recordações e, vez ou outra, morro de vontade de voltar para saber como estão as coisas.

Paris, foi aquele relacionamento um pouco conturbado. Ele me batia, acolhia, e batia de novo, mas eu ainda insistia em ficar lá para ver as coisas boas, até o dia que, depois de tomar porradas sem sentido, comecei a ficar rabugenta com a cidade também. Tenho saudade sim dos milhares de museus cheios de obras de arte que nunca tive oportunidade de ver no Brasil, do queijo camembert a preço de banana (no Brasil) e da facilidade de estudo (universitário), mas , quando penso em Paris, minha memória é preenchida com 80% de situações desagradáveis.

Costumo contar essas situações em mesas de bar e as pessoas não acreditam que isso ou aquilo aconteceu em Paris, justo Paris, a cidade do romance e da luz. Portanto pensei em criar um conjunto de crônicas com esses casos (acredito que terá algumas de São Paulo e Londres também). Não prometo frequência, mas acho que é uma boa oportunidade para voltar a escrever.

A primeira delas  publiquei no Brasil com Z e é sobre minha experiência com os ratinhos londrinos.
Divirta-se.

Anúncios

O tudo e o nada

Oswaldo Goeldi

Eu era tudo para ele. Em meus olhos ele encontrava a pessoa que eu sempre quis ser. Amável, paciente, alegre, charmosa, inteligente. E ele era o pensamento que caminhava insistentemente entre o lúdico e o real.

O que houve com nós dois ninguém saberia explicar. Alguns dizem que o tempo não era certo, outros,  que o destino não quis.

O que sabemos é que, no começo, éramos tudo, então passamos para contatos intensos, beijos sem intenção, telefonemas perdidos, sms de madrugada, despedidas, dor, traição, rejeição, pensamentos distantes, pequenas lembranças, significantes esquecimentos,  pó, fumaça, nada.

Medo do twitter.

social-media1

A internet está repleta de textos sobre  mídias sociais. Discutem, demasiadamente, twitter, como conseguir mais seguidores, porquê ter mais seguidores, marketing infiltrado nas mídias, novos formatos de comunicação dentro das ferramentas onlines.

Em 2005, quando o tema não era nada popular, eu também já tinha começado meus estudos a respeito dessas novas formas de interaçao social. Meu trabalho de conclusão de curso era sobre Buzz marketing que usa com ferramenta as mídias sociais. Escrevia sobre isso, para quem estiver interessado, em um blog que ainda deve estar no ar.

O poder da comunicação interativa é inegável, assim como suas vantagens de liberdade de expressão do indivíduo e a facilidade de transfêrencia de conteúdo.

Mas ainda acho que falta estudo sobre o tema. Ferramentas como o twitter, por exemplo, me assustam pela quantidade de informações, de maneira resumida que é transmitida.

Se fico 4 horas sem entrar no twitter, já tenho, pelo menos, 5 vídeos para ver e 3 matérias para ler.O quanto disso é absorvido? As maneira de se comunicar estão mudando muito e rápidamente demais. Mas o que isso altera no cérebro humano e nas maneiras das comunicações serem propagadas?

Levei o assunto para um lado sério demais. Tudo que queria falar é que conheci, por meio de uma mídia social, o blip  uma cantora Indie rock  suéca chamada Lykke Li(google it).

lykke-li-blog2

No youtube achei esse vídeo não oficial de uma das músicas dela. Apaixonante!

A mulher

Tamara lempicka

Tamara lempicka

Ele já dormia profundamente, mas Tereza não. Tereza observava o ritmo da sua respiração como acompanhava capítulos de um romance. Apreensiva, inquieta. Conhecia cada curva perdida no corpo dele. Sabia onde encontrar cada pêlo, mesmo os mais escondidos, como se já tivesse contado metodicamente cada um deles. Reconhecia o cheiro que seu corpo exalava e os correspondia com suas vontades. A fome, o cansaço, o desejo, o medo e o gozo.
Eram casados há 10 anos e não tinham filhos. Tereza vivia para ele. Era o único homem para quem tinha se entregado, por isso essa obsessão em conhecê-lo milimetricamente. Ele era dono do seu corpo e ela queria ser dona do dele também.

Mas aquela noite não. Aquela noite quando ele chegou do trabalho, ela sentiu um cheiro comum de fatiga, porém misturado com um cheiro incomum. Algo que não pertencia a ele. Era um cheio de sexo.  Sexo feminino.

Não dormiu aquela noite. Ele não pertencia mais a ela, mas ela ainda pertencia somente a ele. Por isso, naquela manhã, logo após seu marido partir para o trabalho, ela ligou para um amigo que há muito tempo mostrava um interesse discreto por ela. Disse que seu chuveiro não estava funcionando e precisava de ajuda. Ele foi prontamente ajudar a velha amiga.

Tereza passou creme no corpo, arrumou o cabelo, pintou as unhas e se cobriu com uma toalha para atendê-lo.

– Edu, que bom que você veio. Eu estava pronta para entrar no banho quando a água ficou gelada.

Foram ao banheiro juntos e ela fazia questão de levantar o braço para mostrar onde ficavam as ligações do chuveiro. A verdade é que ela sabia que quando levantava o braço, a polpa de suas nádegas, duras e redondas, apareciam debaixo da toalha.

Ele começou a arrumar o chuveiro, que aparentemente não tinha problema nenhum. E ela recomendou que ele tirasse a camiseta já que estava muito calor.

Foi aí que ela respirou profundamente, como uma virgem que sabe o momento exato em que vai perder a virgindade, tirou sua toalha e encostou os bicos rígidos de seus seios nas costas de Eduardo.

Ele se virou para ela tão repentinamente e lhe colocou sua língua quente dentro da sua boca. Beijava-a com fome. Fome de um faminto.

Ela se sentiu desejada de novo. Sentia-se também repugnada por estar colada a um corpo completamente desconhecido. E isso lhe dava um desejo diferente. Uma vontade de ser explorada e de explorar.

E ele, que havia reprimido seus desejos por tanto tempo não esperou, e a penetrou lá mesmo, inclinada na pia do banheiro.

Tereza se sentiu plena, completa.

Quando a noite chegou, o teste final chegara com ela. Será que seu marido perceberia que seu corpo não pertencia mais a ele?
Seu coração pulava de ansiedade quando ele lhe deu um beijo de boa noite e preparou seu prato para jantar, como fizera todos os dias.

Foi então que ela soube que ele não percebera nada. Que na verdade, seu corpo nunca fora dele. E o corpo dele, de tão conhecido, se tornara dela, mesmo estando com outras. Tereza, aquela noite, se sentiu a mulher mais livre e poderosa do mundo.

Voltando para onde tudo ficou.

Edward Hopper

Edward Hopper

O blog está abandonado. Desculpem leitores, mas os últimos meses pareceram dias, e os dias tinham cara de horas… isso sem contar às horas que se passaram em um piscar de olhos.

São as mudanças da vida. Menos de três anos, três países, pelo menos umas seis casas, muita informação nova, muitos empregos, descobertas e o choque de voltar para casa.

Parece que fiz uma viagem no tempo. Fiquei viajando por anos e anos, ultrapassei os limites do homem no espaço e quando voltei, tinha passado só um dia de quando parti. Tudo estava no mesmo lugar. Minhas roupas, meu quarto, meu bairro. Só faltava uma peça. E não sei se ela existe mais ou se perdeu em meio à vida que a levou para longe como um furacão.

Ingrid na Alemanha

Não costumo escrever sobre as cidades que visito. Acho que é um pouco de preguiça já que sempre tem muitas coisas para se falar.Mas serei diferente com a charmosíssima Colônia (Köln em alemão) e dedicarei um post nesse blog só para ela.

Eu e meu namorado chegamos na cidade aproximadamente às 22 :00. Tínhamos comprado passagens de ida e volta de trem pela ótima Thalys por 50 euros cada um. Uma opção muito barata e que realmente vale a pena, já que passamos 4 horas confortavelmente olhando paisagens bucólicas.

Sempre que vamos viajar optamos pela economia, portanto sempre ficamos em albergues,mas dessa vez escolhemos ficar no Ibis. E aí vai a primeira vantagem de visitar a cidade. Os hotéis são muito mais baratos se comparados a outras cidades da Europa.

Fizemos o Check-in e fomos caminhar pela região.
Colônia é uma cidade “universitária” com aproximadamente  45.000 estudantes, portanto em uma noite de sexta-feira, as ruas estavam muito agitadas de gente bonita andando pra lá  e pra cá, tomando COQUETÉIS. Isso mesmo,coquetéis! Não imaginei que na Alemanha qualquer outra bebida fosse mais populares que a cerveja.

Meu namorado e eu adoramos fazer “pub crawl” (o ato de beber em vários bares ou pubs em uma mesma noite).Portanto escolhemos uma rua cheia de bares  perto do hotel (Str. Zupicher) e experimentamos várias vezes a cerveja (nada de coquetel afinal,  estávamos na Alemanha) da região ; Gaffel Kölsch.

Vista do teleférico (Rhein-Seilbahn)

No dia seguinte fomos de ressaca super bem humorados para o zoológico onde pegaríamos o teleférico (Rhein-Seilbahn) para o outro lado do rio Reno. Se o tempo estiver bom, vale a pena ver a cidade por cima do rio.
Do outro lado saímos no lindíssimo parque RheinPark e caminhamos nas margens do rio Reno até encontrar algum meio de voltar para o outro lado.

Federico, eu e as margaridas no RheinPark

Nos viramos bem, mesmo não falando nada de alemão. Sempre perguntávamos:
“Do you speak English” e eles respondiam” A little bit”.O que significava “podemos ter facilmente uma conversa”.

Então, já do outro lado fomos para a famosa Catedral Dom que demorou não menos de 630 anos para ser construída.

Colônia  tem 31 museus, então escolhemos o Museum Ludwig de arte moderna para visitar.
Lindo!
Um acervo riquíssimo fora as exposições temporárias(Tobias Rehberger –  The chicken and egg no problem wall painting e Hitler Blind, Stalin lame)  que falarei em outro post para não me prolongar muito.

Na hora de comer até tentamos nos arriscar em um restaurante tradicional que fica na rua  Frankenwerft.O restaurante era lindo, com flores na varandinha e mulheres com roupas típicas mas desistimos já que a comida era muito pesada e não queríamos passar mal no resto da viagem.

Restaurante com nome impronunciável

A noite fomos de volta para o nosso tradicional  “pub crawl “agora em uma rua mais turística; Fishmarkt.  E aí sim, todos estavam tomando cerveja.

Achamos o museus da cerveja e bebemos vários tipos das quais não lembro o nome.
Domingão, dia de dizer adeus a cidade. Fomos até a catedral esperar nosso trem e sentamos nas escadarias, quando, de repente, veio um maluco conversar com a gente (já disse que sou imã de loucos?).Perguntou se falávamos inglês (em inglês) e dissemos que sim então ele começou a falar meio holandês, meio alemão, meio inglês,enquanto suas mãos mexiam freneticamente. Só entendemos as palavras “Amsterdam, trip, ecstasy, Quetamine”.
Com medo, resolvemos esperar dentro da estação. Mas nos despedimos da cidade com ótimas impressões,apesar desse último episódio.

Mais informações sobre a Colônia aqui.

The tree of life

The tree of life - Gustav Klimt

The tree of life - Gustav Klimt

É isso aí. Novamente é hora de tomar decisões.  Muitas e grandes. Aquelas que mudam o percurso da nossa vida e de outros também.
Mas a preocupação só aparece para aquelas pessoas que levam a sua própria vida a sério. E eu levo.
Não deveria. Nunca saberei se as decisões tomadas foram certas ou erradas, afinal, não se vive novamente para fazer tudo diferente e quando acabar dizer “Não a decisão anterior foi melhor”.
Mas pelo menos, as decisões ainda estão no meu poder.  A vida não veio como um acidente geográfico que estreita os caminhos e só deixa uma opção. Uma opção, ruim ou boa, porém, unitária.
Essa é a vida, sem lógica alguma. Sem estatística. E eu vou indo, abrindo portas e deixando que outras se fechem automaticamente, sem saber o que poderia existir lá dentro.